18 de jan de 2012

Santa Catarina perde espaço no mercado argentino

Medidas protecionistas do país vizinho prejudicam exportações

As barreiras protecionistas implantadas pelo governo argentino contra importações estão atrapalhando a venda de produtos de origem catarinense. E o país tem grande importância na pauta estadual de exportação, ocupando o terceiro lugar entre os maiores compradores de Santa Catarina.

As reclamações partem tanto de empresários de SC quanto dos da Argentina, que ficarão sem matéria-prima para setores como linha branca, alimentos e têxtil. Na prática, a barreira comercial determina que qualquer importação deve ser precedida de uma declaração juramentada, que será analisada em até 15 dias úteis.

A exigência passa a valer a partir de fevereiro. Os segmentos da indústria catarinense mais afetados serão o de papel, laminados de aço, carne suína, têxtil, refrigeradores, motores elétricos e cerâmica.

As novas medidas são consideradas um desrespeito ao Mercosul por Henry Quaresma, diretor de Relações Industriais e Institucionais da Federação da Indústria de Santa Catarina (Fiesc). Ele ressalta que a medida protecionista atrapalha a imagem do Mercosul e a negociação com a União Europeia. O diretor da Fiesc argumenta que cabe ao governo brasileiro recorrer a OMC, organização que regula o comércio entre nações.

A possibilidade de o Brasil não reagir com o vigor necessário é uma preocupação de Ulrich Kuhn, presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação, Tecelagem e do Vestuário de Blumenau (Sintex). Ele lembra que faz quatro anos que a Argentina vem anunciando sucessivas medidas protecionistas que contrariam o livre comércio, mas ressalta que governo brasileiro tem sido condescendente e que nunca houve resposta a altura.

Kuhn diz que a Argentina tem uma importância bastante significativa para a indústria têxtil do Estado — os US$ 40 milhões comprados em 2011 representam 23% do total exportado pelo setor no ano passado. A produção mais afetada é a de toalhas, que representa US$ 16 milhões em vendas externas por ano. O presidente do Sintex não sabe qual será o tamanho do prejuízo, mas prevê seja de pelo menos metade do total comercializado.

— Nada que está escrito vale, só vale a vontade da Argentina — protesta o presidente da Sintex.

Ele reclama que, enquanto Santa Catarina perde mercado por causa dessas medidas, o espaço é preenchido pelos chineses.

O presidente da Cidasc, Enori Barbieri, aponta outra consequência que pode ocorrer diante das atitudes do governo argentino: a saída de empresas do Estado para se instalarem no país vizinho. Hoje, o único frigorífico com participação na agroindústria catarinense que está presente na Argentina é o da Marfrig, com unidade que produz pizzas e carne bovina.

O presidente da Cidasc destaca que se não houver uma reaçao brasileira logo, a unidade também passará a atuar no setor de frangos e de carne suína, artigos exportados por SC.

fonte:clickrbs.com.br
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