16 de abr de 2010

Crise amplia pressão da web sobre DVDs e TV a cabo

Matthew Bowers, de Chicago, pagou para ter a HBO em sua casa todos os meses por quase duas décadas. Ele sintoniza o canal ocasionalmente para assistir aos episódios de Entourage e de tempos em tempos compra um filme em pay-per-view. Recentemente, a família toda assistiu a Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet.

Mas quando sua empresa o demitiu em setembro, ele começou a pensar sobre o valor que pagava pelo canal de TV a cabo. "É ridículo pagar por esse serviço que raramente uso quando posso conseguir a mesma coisa online e economizar muito dinheiro," ele disse. O resultado? A HBO está perdendo um cliente.
Será que uma economia em frangalhos atrasa ou acelera a tendência de se assistir a programas e filmes da TV na web e em aparelhos móveis? A indústria do entretenimento não gosta da resposta que rapidamente está se tornando óbvia: uma economia global em crise quase certamente significa uma grande aceleração do movimento em direção a novas formas de consumir conteúdo, preparando terreno para um novo choque entre consumidores e estúdios.
Historicamente, fabricantes de filmes não costumam temer muito os tempos difíceis da economia. Na verdade, eles geralmente os recebem com satisfação. Durante a Grande Depressão, as pessoas continuaram a recorrer aos filmes como válvula de escape. Aluguéis de fitas VHS estouraram durante a recessão do início dos anos 80, bem como os DVDs na crise do início desta década.
O porta-voz da HBO disse que lamentava ter perdido Bowers como cliente, mas rejeitou a idéia de que muitas outras pessoas se juntariam a ele. "Nenhuma indústria é à prova de recessão, mas a televisão paga teve um ótimo desempenho nas crises anteriores," disse o porta-voz Jeff Cusson.
No entanto, o atual período sombrio sacudiu as bases de Hollywood. Hoje, os DVDs são a fonte de lucro da indústria e a Nielsen VideoScan reportou uma queda de 9% nas vendas de DVD no terceiro trimestre, em comparação ao mesmo período do ano anterior - antes da economia entrar em crise. Na televisão, os anúncios vitais de automóveis estão cada vez mais escassos.
Além disso, os consumidores agora contam com formas mais baratas de assistir a filmes e programas de TV. Hulu. Vudu. YouTube. Netflix. Amazon Video on Demand. iTunes. Crackle. FunLittleMovies.com. Movielink. CinemaNow. A lista não acaba. Como resultado, estúdios de filmes e televisão parecem mais decididos do que nunca a proteger seus negócios estabelecidos da canibalização da nova mídia, que cresce rapidamente, mas ainda gera muito pouca receita em termos comparativos.
A Warner Brothers Television, que fornece os programas The Mentalist eEleventh Hour para a CBS, recentemente pediu à emissora que retirasse os episódios completos das séries de seu site na web, bem como a comédia Big Bang Theory. Isso porque eles possivelmente prejudicariam as antiquadas vendas para transmissões futuras em emissoras de televisão.
O acordo recente entre a Metro-Goldwyn-Mayer e o YouTube para transmissão de filmes e episódios de TV inteiros não incluiu nenhum dos maiores sucessos do estúdio, como os filmes de James Bond ou Rocky. Pelo contrário, a MGM está fornecendo ao YouTube filmes como o fracassado O Monge à Prova de Balas e reprises da série original American Gladiators - um acordo seguro a essa altura do jogo. (A MGM afirma que fornecerá conteúdos mais procurados e salienta que tem sido um dos estúdios mais agressivos na disseminação de conteúdo em novas plataformas.)
A experimentação de estúdios em distribuição digital também não vai bem. Quando as vendas de DVD estavam estourando há alguns anos, por exemplo, as empresas podiam se dar ao luxo de transmitir um programa de TV aqui e um filme acolá. Mas com a redução de 31% do orçamento operacional da 20th Century Fox no trimestre recente, e de 42% do orçamento da Walt Disney Pictures, os estúdios estão temerosos.
"Os dias em que estúdios faziam pequenos acordos digitais para uma divulgação e posavam de entendidos terminaram," Steve Mosko, presidente da Sony Pictures Television, que também supervisiona a distribuição digital dos filmes da Sony. "Os dias para transformar isso em um negócio de verdade chegaram," ele disse.
O problema é que os consumidores clamam por produtos mesmo quando estes não geram receita para o estúdio. "Vejo pessoas exigindo uma enorme aceleração na produção profissional de vídeos para a web e aparelhos móveis," disse David van Eyssen, produtor de filmes independentes que recentemente assinou um acordo de produção com a Paramount Digital Entertainment. "A alternativa de baixo custo à mídia tradicional é a Internet."
Um estudo da JupiterResearch, divulgado no final de setembro, perguntava aos consumidores como eles achavam que a economia em apuros afetaria seus gastos habituais com mídia. Entre os adultos de 25 a 34 - um grupo de jovens cobiçado pelas empresas de mídia - os ingressos de cinema e canais especiais de TV a cabo seriam os primeiros a ser cortados. O último seria a banda larga.
Você acha mesmo que ninguém gostaria de assistir a um filme de duas horas em um computador ou aparelho móvel? Quando Homem de Ferro, estrelado por Robert Downey Jr., foi disponibilizado no iTunes no final de setembro, as vendas de downloads a US$ 2,99 chegaram a US$ 1 milhão nos primeiros sete dias de lançamento, dizem analistas. Isso é praticamente lucro puro, porque o custo de entrega é muito baixo, observam. Mas ainda assim, é apenas uma gota no oceano se comparado à receita de US$ 140 milhões em vendas de DVD de Homem de Ferro durante a primeira semana.
"Ficamos agradavelmente surpresos com a receita que estamos tendo com sites como Hulu," disse John Sloss, advogado de entretenimento e fundador da Cinetic Rights Management, uma firma que ajuda produtores de filmes independentes a distribuir seu trabalho em novas plataformas.
Nem todos os estúdios estão na defensiva. A Sony, por exemplo, acredita cada vez mais que a mídia antiga e a nova são complementares. "Quando a TV apareceu, as pessoas pensavam que o cinema acabaria, mas isso não aconteceu," disse Mosko. "Agora é a mesma situação. Esses negócios podem coexistir." (A Sony, obviamente, ganha muito dinheiro com aparelhos digitais.)
A maioria das empresas de mídia está em posição mais delicada. Mas James L. McQuivey, analista da Forrester Research, prevê que qualquer esforço renovado de resistência por parte dos estúdios será inútil. "A essa altura, desacelerar o fluxo de filmes e programas de TV nas novas plataformas seria um pouco como tirar as drogas de um viciado," ele disse. "As pessoas querem mais e mais e mais."
Tradução: Amy Traduções
The New York Times
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