30 de abr de 2010

Veja como anda a nova picape Hoggar

Marca quer conquistar 10% do mercado de utilitários pequenos em 2011

A Peugeot apresentou nesta semana em Florianópolis (SC) a Hoggar, sua primeira picape leve produzida no Brasil. Seguindo o visual da linha 207, apresentada em abril de 2008, o modelo começará a ser vendido em 15 de maio em três versões: X-Line (R$ 31.400), XR (R$ 35.350) e Escapade (R$ 43.500). Como principal atributo, de acordo com a marca francesa, a picape oferece a maior caçamba do segmento, com 1.151 litros de volume e 742 kg de capacidade de carga na versão X-Line.
 
De acordo com a Peugeot, a configuração X-Line será voltada para serviço, utilizará motorização 1.4 capaz de gerar 82 cavalos de potência e 12,8 kgfm de torque quando abastecida com álcool e 80 cv e 12,8 kgfm com gasolina. Entre os principais itens de série a versão oferece janela traseira corrediça, ventilador interno com 4 velocidades, coluna de direção e banco do motorista com regulagem de altura, protetor do cárter, vidros verdes e rodas de aro 14" com pneus 175/65. Na opção intermediária (XR) a Hoggar mantém o mesmo motor 1.4, porém sua lista de itens de série é expandida com a adição de faróis de neblina, direção hidráulica, porta-luvas com tampa, suporte para copos, calotas esportivas, hack no teto e frisos laterais.
 
Já na versão top de linha (Escapade) a picape passa a contar com motor 1.6 16 válvulas capaz de gerar 113 cavalos de potência com álcool e 110 cv com gasolina, ambos a 5.600 rpm, além de 15,6 kgfm e 14,2 kgfm de torque a 4.000 rpm. Nesta configuração o modelo utiliza a lista de itens de série presente na XR e recebe como diferencial rodas de liga leve aro 15”, kit off-road, manopla de câmbio cromada, trava das portas no controle remoto e ar-condicionado. Embora a área da carroceria seja a mesma em todas as versões, a capacidade de carga cai para 660 kg na configuração XR e 650 kg na Escapade.    
 
A lista de opcionais da picape oferece apenas um item para cada versão. O modelo de entrada da Hoggar pode receber ar-condicionado por R$ 3.300, enquanto por R$ 4.000 a X-Line passa a contar com um kit composto de ar-condicionado, vidros elétricos e travamento automático das portas que também pode ser controlado por comandos na chave. Na configuração Escapade, há a possibilidade de acrescentar airbag duplo por R$ 1.700. Nas concessionárias, o proprietário do modelo ainda poderá instalar acessórios como protetor de caçamba, santoantonio e teto solar elétrico, entre outros.
 
Rodando com a Hoggar
 
Com 182 km de extensão, o trajeto percorrido para avaliar a picape envolveu rodovias, serras e trechos urbanos, e tanto a versão XR quanto a Escapade puderam ser testadas. Embora possuam motorizações distintas, os modelos apresentaram características semelhantes, que primam por boa dirigibilidade e bom aproveitamento do rendimento do propulsor.
 
Os dois modelos contam com caixa de marchas cuja relação do diferencial é reduzida, característica do projeto que visa manter o motor sempre em rotações mais elevadas, com boa dose de torque e potência disponíveis ao pé do motorista - embora tal medida aumente a média de consumo de combustível. Enquanto o motor 1.4 8V respondeu com linearidade e boa dose de disposição em retomadas e acelerações vindas de baixo giro, seu rendimento passa a apresentar fraqueza acima de 3.750 rpm. Já o propulsor 1.6 16V apresentou comportamento preguiçoso em retomadas de baixo giro, porém respondeu com vigor em médias e altas rotações. A 120 km/h, a motorização 1.4 registrava a 3.800 rpm no painel, enquanto o bloco 1.6 marcava 3.600 rpm no conta giros.
 
 
No interior reina o silêncio quando o veículo está em movimento, conforto que é aprimorado pela possibilidade de regulagem da altura do banco do motorista, com o ajuste de altura e profundidade da direção e com a potência do sistema de ar-condicionado. A principal característica positiva na picape francesa, entretanto, está em sua suspensão traseira, que utiliza barras de torção transversais com molas helicoidais. Na prática, a Hoggar é um veículo mais confortável do que a Fiat Strada Adventure, cuja suspensão traseira utiliza feixe de molas, e se aproxima - muito - do comportamento, dirigibilidade e estabilidade que o motorista encontra em uma Volkswagen Saveiro, referência neste segmento. A diretora de marketing da Peugeot, Denyze Souza Agostino, afirmou durante a coletiva de imprensa que “a Hoggar possui a dirigibilidade de um carro de passeio e a robustez de um utilitário”. Ao menos quanto à parte de comportamento, a diretora não cometeu equívoco.
 
Apesar da boas características para ser dirigida, a convivência com a “francesinha” deixou de ser mais prazerosa durante o teste por pequenos detalhes de sua personalidade. Mesmo na versão top de linha, por exemplo, o acabamento interno não é dos mais primorosos, apesar de estar longe de ser desleixado. A posição de encaixe da chave de ignição é de difícil acesso, o espaço traseiro para acomodar bagagens é pequeno e toda vez que o banco do motorista é rebatido para acessá-lo - ao menos quando este está regulado na minha posição de dirigir -, o encosto da cabeça esbarra na buzina, anunciando sua presença desnecessariamente a todos que se encontram no ambiente. Os pedais de acelerador e freio da Hoggar Escapade, que por um lado facilitam a vida do motorista por serem próximos e utilizarem pedaleiras esportivas, também causaram certa dose de incômodo em alguns momentos durante uma condução cotidiana, uma vez que necessitam de cuidado na movimentação dos pés nos pedais.
 
Outra característica do projeto que causa estranhamento está no controle dos vidros, presentes à frente do freio de mão, como em toda linha 207. Em suma, não são características que acabam com um casamento. Longe disso. Mas o tornam menos animador e menos prazeroso do que poderia ser.
 
Embora utilize nome e embalagem off-road, que usa - e abusa - de plástico, vincos e cores para exalar um ar aventureiro, a picape possui comportamento limitado fora de pisos pavimentados. Apesar dos pneus de uso misto lhe auxiliarem em situações com aderência reduzida, sua altura em relação ao solo é baixa, característica que é agravada por seus ângulos de entrada e saída limitados. A dianteira avantajada raspa com certa facilidade em desníveis maiores. Na prática, o motorista não vai escapar de muita coisa caso decida enfrentar uma estrada de terra acidentada ou com lama. A picape vai bem mesmo é em estradas de asfalto, situação que deslancha com facilidade e oferece estabilidade exemplar.
 
A maior ressalva para a Hoggar fica por conta de seus freios, que apesar de funcionarem bem e demonstrarem resistência, não contam com ABS em nenhuma das versões - nem mesmo como opcional. Quanto questionada sobre a característica, a Peugeot não revelou resposta direta, mas informou que está de prontidão para atender às demandas do cliente. 
 
Hoggar no mercado
 
O lançamento da Hoggar faz parte do plano de expansão global da Peugeot, que pretende subir da 10ª posição de marca mais vendida mundialmente para a 7ª colocação até 2015. Embora o comércio de veículos brasileiro responda por cerca de 5% das vendas globais da empresa, conforme informou o diretor da marca no Brasil, Guillaume Cauzi, o segmento de picapes leves no mercado nacional está em ascensão, o que significa que o momento é oportuno para a marca se consolidar no novo segmento. O mix de venda esperado é de 14% da X-Line, 60% da XR e 26% da Escapade.
 
Embora os planos da empresa francesa visem que sua nova picape seja comercializada no ritmo de 1.500 unidades mensais, e que ela responda por 10% das vendas de utilitário leves no Brasil em 2011, a Hoggar vem ao mundo “pisando em ovos”. Não por conta de seu projeto, mas sim de seus concorrentes, que estão consolidados no mercado há anos. Disputar espaço com deles não será uma tarefa fácil para a Peugeot, especialmente por conta do público conservador brasileiro. No segmento, a Strada segue invicta, com 10.181 unidades vendidas em março, seguida por Saveiro (5.095) e Montana (3.729), de acordo com a Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores).
 
O custo da Hoggar foi programado para se adequar ao de sua concorrência. A configuração básica da Fiat Strada 1.4 com cabine simples custa R$ 30.440, enquanto na versão Adventure 1.8 completa (vendida na configuração cabine estendida), a picape sai por R$ 47.240. A Chevrolet Montana de entrada, Conquest 1.4 EconoFlex, é vendida por 30.415, enquanto sua versão top de linha, chamada 1.8 Sport Flexpower, tem preço sugerido de R$ 48.476.  Já a Volkswagen Saveiro, que utiliza motorização 1.6 em todas as versões, parte de R$ 32.050 e vai a R$ 40.300 na variante Trooper com cabine estendida – no momento a Volkswagen não disponibiliza o valor da configuração Cross.
 
A picape conta com bons atributos para a convivência no dia a dia e é uma boa opção para os que desejam um modelo com o visual diferenciado, primam por boa dirigibilidade e não abrem mão de uma espaçosa área de transporte. Se estas são características decisivas em suas prioridades, a Hoggar certamente incomodará a concorrência.
Imagens de divulgação

























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