16 de abr de 2010

Web permite lançar "documentário em tempo real"

Brian Stelter
O documentarista e ativista Robert Greenwald tem tentado há anos acelerar o processo de produção de seus filmes. Agora, ele afirma estar criando um que pode ser lançado quase imediatamente, em etapas.
Greenwald está exibindo na internet Rethink Afghanistan, uma visão cética das estratégias de guerra americanas, dividido em cinco partes, com a esperança implícita de que isso contribua para o debate sobre política externa. Com as duas primeiras partes do filme já disponíveis online, ele chegou ao Afeganistão no domingo para fazer mais entrevistas para o que chama de seu "primeiro documentário em tempo real".
Greenwald é famoso em alguns círculos progressistas por causa de seus filmes sobre as pessoas que lucram com a guerra, as práticas corporativas da rede Wal-Mart e o canal de TV Fox News. Sua empresa, a Brave New Films, usa a experiência em documentários para montar campanhas políticas, inclusive no ano passado uma série no YouTube sobre John McCain e o que chamou de "política do ódio".
Rethink Afghanistan está sendo criado ao mesmo tempo como filme e como campanha. Greenwald já está postando trechos do filme no site, RethinkAfghanistan.com, e também no YouTube. Ao fim, tudo será costurado em um longa-metragem. Como já fez no passado, Greenwald levará seu filme acabado a público usando uma mistura de vendas em DVD e grupos de exibição. Ele disse que também espera conseguir alguma distribuição em cinemas.
"Vamos continuar ajustando o filme conforme mudarem os fatos nos noticiários e a política", disse Greenwald na semana passada, em uma entrevista por telefone antes de viajar para Cabul, capital afegã. O site do filme pede aos partidários que exijam do Congresso audiências de revisão da política americana na região.
Produzindo sua campanha de ativismo cinematográfico em ritmo acelerado na internet, Greenwald aproveita as novas tecnologias que permitem aos cineastas produzir suas obras mais rapidamente.
O senso de oportunidade é essencial para lançar um documentário sobre políticas públicas. Filmes como Farenheit 9/11, de Michael Moore, contam eventos que aconteceram há um ano ou menos de seu lançamento. Mas Greenwald, diretor de longa data de filmes televisivos e longas-metragens, diz que, ao passar mais tempo no mundo dos documentários, percebeu que até o prazo de um ano parecia longo demais para seus filmes.
Em junho de 2003, quando começou a filmar Uncovered: The War on Iraq, sobre as razões da guerra, Wes Boyd, co-fundador do grupo liberal MoveOn.org, perguntou a Greenwald se o projeto poderia ser finalizado em um mês. Foi nesse momento, segundo ele, que se deu conta pela primeira vez da questão do tempo.
Ele acabou levando cinco meses para terminar uma versão mais curta do documentário, e uma versão mais longa ficou pronta no meio de 2004, para cinemas e festivais. Nos últimos anos, afirma Boyd, Greenwald "fez um trabalho notável em aumentar a velocidade de produção, capacidade total e qualidade".
O fato de a internet servir cada vez mais como distribuidora global de vídeo ajuda. Nenhuma distribuidora "se move na velocidade do YouTube", diz Greenwald.
Seu assunto atual, o Afeganistão, é especialmente urgente. O presidente Barack Obama já ordenou o envio de mais 17 mil soldados ao país, e está em vias de traçar uma nova estratégia. Com esse cenário, "não parecia fazer sentido produzir um filme que fosse lançado mesmo daqui a seis meses", explicou Greenwald.
A primeira parte do filme, uma seção de 12 minutos chamada More Troops + Afghanistan = Catastrophe ("Mais tropas + Afeganistão = catástrofe") reflete a oposição do cineasta a um aumento de tropas. A segunda parte examina o papel do Paquistão na região. A edição da segunda parte continuou até alguns momentos antes de ser colocada no YouTube, na última quinta-feira.
As próximas partes abordarão outros assuntos, incluindo as vítimas e o terrorismo. Greenwald disse que os capítulos do filme tentariam levantar uma série de questões sobre a guerra no Afeganistão: "Quantas tropas? Por quanto tempo? Quanto vai custar? Qual é a missão final?". No Afeganistão, ele planeja entrevistar políticos afegãos, antigos dirigentes do Talibã e membros do movimento de paz do país.
Enquanto está lá, ele planeja gravar vídeos curtos com as novidades de sua viagem. Enquanto isso, sua equipe de produção estará trabalhando na Parte 3 do filme.
Devido à operação de pequeno porte, a empresa de produção também está pedindo doações para a viagem, mesmo enquanto ela é realizada. "É um malabarismo interessante", disse Greenwald, "entre pesquisar para encontrar pessoas, entrevistar as pessoas, editar as peças, ver o que está acontecendo nos noticiários - e arrecadar fundos ao mesmo tempo".
Tradução: Amy Traduções
The New York Times
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