14 de abr de 2010

Censurada, mas muito popular

Acesso à internet na China não é muito diferente do Brasil, mas fiscalização nas lan houses é maior e inclui envio de informações dos frequentadores para o governo.

Pequim, China) - O recente conflito com o Google levou o governo chinês novamente ao noticiário de tecnologia e reacendeu a polêmica sobre a censura da internet no país. Mas, no cotidiano dos chineses, pouco mudou com a decisão do Google de modificar suas atividades na China.
As medidas de censura do governo estão muito mais presentes na infraestrutura de comunicação do que no dia-a-dia dos cidadãos, e o acesso a provedores de internet não é muito diferente do que ocorre no Brasil. A maior diferença fica nas lan houses, que enviam informações sobre seus frequentadores para o governo.
iG
Lan house: popular ponto de acesso à web na China
Lan house: popular ponto de acesso à web na China

A internet chinesa encerrou 2009 com respeitáveis 384 milhões de internautas, ou 28,9% da população de 1,3 bilhão de pessoas. Num país acostumado a números grandiosos, pode-se esperar um dado superior a 400 milhões de usuários no próximo relatório do Centro de Informações sobre a Internet da China, o regulador do sistema, que deve ser divulgado ao final do primeiro semestre.
Internet sem burocracia
Não é difícil acessar a rede em Pequim, a capital do país. Munido de um smartphone, um usuário de serviço pré-pago (garantido sem burocracia, apenas com a compra de um cartão SIM na banca de revistas mais próxima) pode ativar o serviço de maneira simples. Há três operadoras de telefonia sem fio na China: a líder China Mobile, a China Unicon e a China Telecom. Todas são estatais.
O preço mensal do serviço muda de acordo com o tráfego de dados, de tecnologia e tempo conectado. Em média, é possível garantir 24 horas e acessar e-mails a qualquer momento por menos de R$ 15 por mês. Em cidades grandes, como Pequim, Xangai e Cantão, é mais fácil economizar os dados da franquia, graças à internet sem fio gratuita. Há diversos lugares com acesso Wi-Fi grátis, como bares, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais.
iG
Muitos bares de Pequim oferecem acesso sem fio grátis
Muitos bares de Pequim oferecem acesso sem fio grátis
Banda larga
Há 16 anos conectado, o país que em 1994 oferecia uma linha internacional dedicada a 64kbs, hoje garante acesso via banda larga a 346 milhões de internautas, ou 90,1% deles. Para as conexões mais robustas, o preço mensal médio é de R$ 45, e o serviço chega à casa do usuário como chega para qualquer cidadão brasileiro. Apresenta-se apenas endereço e documentos de identidade e para contratar o serviço.
Lembra dos R$ 15 para acessar a internet no celular? Esse valor propicia uma razoável popularidade para o acesso móvel. Até dezembro do ano passado, 233 milhões de chineses, ou 60,8% do total online, tinham web via celular. Tanta conectividade garante um gasto médio de 18,7 horas semanais na internet. Os homens são maioria na internet chinesa, respondendo por 54,2% do total de internautas.
Censura
A internet chinesa está ao alcance de qualquer cidadão e em muitos casos com conexão de boa qualidade. O que é censurado na China é um conjunto de informações determinado pelo governo. O conteúdo censurado inclui dados relativos a eventos como Massacre da Praça Tiananmen ou a figuras como Dalai Lama. Mas pelo menos parte da população chinesa não parece incomodada com isso. É o caso da produtora de elenco Wu Lin.
- Não ligo para a censura. Nunca usei redes sociais como Facebook ou Twitter, sequer estava acostumada ao Google, sempre preferi o Baidu ao buscar conteúdos na internet – diz. Wu não se separa do laptop nem mesmo enquanto saboreia um café em um dos bares com acesso sem fio da cidade.
O Baidu é o serviço de buscas mais popular da China, desbancando o gigante americano Google com uma fatia de mais de 60% do mercado de pesquisas na web. Como boa empresa que sabe fazer o dever de casa, o Baidu segue à riscas as regulamentações governamentais quanto à censura de conteúdo.
Lan houses
Nas lan houses, onde o acesso custa, em média, R$ 0,50 por hora (o valor pode chegar a R$ 3,85 durante a madrugada), os homens são maioria. Menor de 18 anos não entra. Desde o dia 07 deste mês, reforçando regulamentação de 2002, estabelecimentos da capital que forem autuados oferecendo o serviço a adolescentes terão a licença suspensa por um mês.
Se em menos de um ano houver reincidência, o local perde o direito de funcionar. A medida tenta apagar a memória de um incidente protagonizado por dois jovens em junho de 2002, que, ao incendiarem um cybercafé em Pequim, provocaram a morte de 25 pessoas e deixaram outras 17 feridas.
iG
Muitas lan houses chinesas funcionam 24 horas por dia
Muitas lan houses chinesas funcionam 24 horas por dia
Hoje, quem entra em uma lan house na China deve, obrigatoriamente, oferecer o cartão de identidade, mesmo que seja apenas para pedir mais tempo de uso no terminal. A regra vale também para estrangeiros, que não acessarão a internet em lan houses se não apresentarem o passaporte.
Em Pequim, a segurança é reforçada por uma máquina que faz as vezes de scanner para os cartões de identidade dos chineses e de máquina fotográfica. Ela identifica os usuários da lan house e fornece as informações em tempo real para o departamento municipal responsável – que tem o curioso nome de Departamento Municipal de Assuntos Culturais.
Quem explicou o funcionamento da engenhoca ao iG foi o gerente de uma lan house em Jianhua Nan Lu, área nobre da cidade, que abriga escritórios de multinacionais e várias embaixadas, inclusive a do Brasil. O jovem, que diz estar no local há pouco mais de dois anos preferiu falar sob a condição de anonimato – a mesma que nega aos clientes do seu negócio.
Fonte: IG.com.br

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