16 de abr de 2010

Famosos pagam redatores para escreverem posts no Twitter

O rapper 50 Cent está entre os diversos astros que recentemente começaram a usar o Twitter como forma de contato com os fãs que desejam acesso quase contínuo às suas vidas e idéias. Em 1° de março, ele contou um de seus pensamentos às mais de 200 mil pessoas que o acompanham: "Minha ambição me conduz por um túnel que nunca chega ao fim". As palavras são de 50 Cent, mas não foi ele que as colocou no Twitter.

Na verdade, quem fez isso foi Chis Romero, conhecido como "Broadway", diretor do império de internet do rapper, que decidiu digitar as palavras do músico depois de ler uma entrevista. "Ele não usa o Twitter pessoalmente", disse Romero sobre 50 Cent. "Mas a energia que está lá é a dele".
Em sua curta história, o Twitter - sistema de microblogging baseado em mensagens de 140 caracteres - se tornou uma importante ferramenta de marketing para celebridades, políticos e empresas, prometendo um nível de intimidade jamais atingido anteriormente na web, bem como oferecendo ao público a oportunidade de se comunicar diretamente com pessoas e instituições que antes pareciam confortavelmente isoladas no alto de seus pedestais.
Mas alguém precisa escrever os posts, mesmo que cada um deles mal contenha uma frase. Em muitos casos, as celebridades e suas equipes começaram a recorrer a redatores externos - os "ghost twitterers" - que mantêm os fãs atualizados sobre as mais recentes reviravoltas em suas vidas e carreiras, muitas vezes em estilo que imita de perto o astro em questão.
Já que o Twitter é visto como conexão íntima entre astros e fãs, muitos dos artistas preferem não divulgar o fato de que contam com ajuda paga para divulgar suas idéias.
Britney Spears recentemente publicou um anúncio procurando por um funcionário que, entre outras coisas, a ajudasse a criar conteúdo para o Twitter e o Facebook.
Kanye West explicou, em entrevista à revista New York, que havia contratado duas pessoas para atualizar seu blog. "É assim que um designer deveria trabalhar", disse.
Mas não são apenas celebridades que se vêem forçadas a recorrer a equipes externas para produzir comentários reais sobre suas atividades cotidianas. Políticos como o deputado Ron Paul designaram assessores para criar posts no Twitter e perfis no Facebook. Quando candidato e agora como presidente, Barack Obama tinha uma equipe de assessores para redes sociaisencarregada de alimentar o Twitter.
Os famosos há muito usam "ghost writers" para suas autobiografias e outras tarefas de auto-exaltação. Mas a idéia de contratar alguém para produzir atualizações constantes sobre as vidas deles parece ligeiramente absurda.
O astro do basquete Shaquille O'Neal, por exemplo, costuma escrever muito em sua conta no Twitter - "The Real Shaq" -, usando-a para divulgar notícias, piadas e ocasionais provocações a adversários; ele conta com 430 mil seguidores.
"Se preciso falar, eu mesmo o farei", disse O'Neal, enfatizando que a tecnologia permite que ele contorne a mídia e se comunique diretamente com os fãs.
Quanto à tentação de contratar alguém para escrever por ele, O'Neal diz: "São 140 caracteres. Muito pouco. Se você precisa contratar alguém para isso, lamento por você".
Os atletas parecem ser puristas quanto a isso. Lance Armstrong, horas depois de quebrar a clavícula direita, estava escrevendo sobre isso no Twitter, digitando com a mão esquerda. Charlie Villanueva, ala do time de basquete Milwaukee Bucks, enviou um Twitter do vestiário, no intervalo de uma partida em 15 de março, dizendo "preciso batalhar mais". (O técnico do time, Scott Skiles, não gostou da distração, mas ainda assim a equipe venceu.)
Mas para políticos como Paul, pré-candidato à indicação presidencial republicana em 2008, o Twitter é uma ferramenta organizacional e não uma forma de permitir que os seguidores observem a cena nos bastidores. "Durante a campanha presidencial", diz Jesse Benton, o diretor de campanha de Paul, "nós designamos um funcionário para cada site de redes sociais. Eles divulgavam as mesmas mensagens neles, e tentavam conduzir mais visitantes ao site da campanha".
Ele diz que, em alguns raros casos, os seguidores online atribuíam significado mais amplo ao relacionamento online. "Em algumas das redes sociais, recebíamos mensagens sinceras com agradecimentos por termos permitido que a pessoa entrasse em nossa lista de amigos", ele recorda.
Muitos comentaristas online estão indignados com o uso de redatores contratados no Twitter, mas para Joseph Nejman, ex-consultor de Spears que a ajudou a desenvolver sua estratégia de web, há algo de hipócrita nisso. "Uma marca comercial pode usar o Twitter", ele comentou, "mas uma celebridade não pode contratar alguém para fazer o mesmo. A questão é que celebridades também são marcas. O que elas são para o público nem sempre é aquilo que são por trás das cortinas. Se os assessores sabem como lidar com isso melhor do que o astro, deveriam ser encarregados de fazê-lo".
Tradução: Paulo Migliacci ME
The New York Times
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