3 de abr de 2010

Teatro via internet: essa combinação pode dar certo?

Novo portal brasileiro aposta na exibição online de espetáculos, com vídeo de alta definição e preços a partir de 10 reais. Será que pega?

Uma iniciativa no mínimo instigante busca aproximar uma das mais antigas formas de arte - o teatro - à transmissão de vídeo pela internet, em alta definição. Este é o desafio do Portal Cennarium, um projeto de 10 milhões de reais bancado integralmente pela empresa de mídias digitais Nortik e que visa levar as principais peças a qualquer pessoa com um computador e acesso à web.

“O Cennarium é, sim, um negócio, mas nosso objetivo maior é a inclusão cultural”, explica o diretor do portal, Roberto Lima. “O primeiro ponto que nos motivou foram as estatísticas oficiais de que 95% da população não têm acesso a teatro.”

Lima ressalta que a internet tem pouca coisa relacionada a teatro. “Descobrimos que 92% das companhias de teatro nem têm site”, diz Lima. “Um exemplo é a peça ‘A Loba de Ray-Ban’, que ocupa um espaço dentro da página pessoal da atriz Cristiani Torloni.”

Na visão do diretor, o Portal Cennarium vai atender a quem gostaria de assistir às peças do eixo Rio-SP, mas que por alguma razão – tempo, dinheiro, distância – é impedido de vir. “Ele poderá ligar seu notebook com conexão de banda larga à sua TV, via cabo HDMI, e assistir ao espetáculo com qualidade digital de alta definição”, diz Lima.

Opções de transmissão em banda estreita, disponíveis no site, vão atender a quem tem conexão discada. E projetos especiais poderão levar a exibição de espetáculos a um público específico, como estudantes. “Escolas de qualquer cidade do País poderão exibir peças clássicas em cartaz em São Paulo”, comemora o executivo.

portal-cennarium

Barreiras
Para se tornar realidade, o projeto teve que vencer algumas barreiras, como a resistência de algumas companhias que, segundo o diretor, viam na iniciativa uma interferência na “magia do teatro”. 
“Eles tinham sua razão. Se fossem usadas as tecnologias antigas, estaríamos mesmo interferindo em alguns aspectos cenográficos, como iluminação, por exemplo”, explica Lima. “Mas mostramos que, com as tecnologias digitais de alta definição, essa interferência não existe.”
A tecnologia a que Lima se refere é a das atuais câmeras digitais HD, com tal sensibilidade à luz que torna possível “filmar até sob iluminação de vela”, segundo Lima. Já a captação de som se apoia numa solução engenhosa: dois microfones direcionais, daqueles utilizados em campo de futebol, dispostos de forma cruzada. “Isso abafa o ruído e dá um som perfeito”, diz.

Mas a “magia do teatro” também inclui a dinâmica da ação ao vivo, algo que as companhias temiam perder na web. Lima diz que as gravações respeitam o ritmo da peça, e o diretor do espetáculo acompanha, de forma ativa, a gravação dentro da unidade móvel. “Não interrompemos a atuação.”

As companhias não pagam nada pela filmagem. Elas recebem 50% da receita líquida de bilheteria virtual, descontados taxas e impostos; ganham um minissite dentro do portal, para divulgação de making of, elenco e outras informações; e pode inserir publicidade de até três patrocinadores. “Temos até uma plataforma pronta de e-commerce”, diz Lima, “mas as companhias ainda não tem produtos para venda”.

Conexão discada
Quanto à transmissão, o Cennarium afirma utilizar um software de vídeo próprio. E, embora a captação seja em HD, o site oferece três níveis de qualidade. “Pensamos em atender também o usuário de conexão discada, de qualquer parte do Brasil”, enfatiza Lima.
O mecanismo de uso do site é simples. Uma vez cadastrado, o usuário deve comprar créditos, que servirão de moeda para baixar a peça que se deseja assistir. O download é progressivo - enquanto se assiste um pedaço, outro está sendo baixado simultaneamente.

O preço do ingresso virtual começa em 10 reais e o limite será sempre a metade do valor cheio cobrado na bilheteria do espetáculo comercial. “Quem dá o preço mínimo é a companhia de teatro, mas mantemos o teto máximo”, explica o diretor. “Me perguntam se cobrar 30 reais por uma exibição online é inclusão digital. Para quem teria de gastar 2 mil, 3 mil para vir do Recife a São Paulo, achamos que é.”

Lima ressalta que a fase da desconfiança das companhias de teatro já passou, e muitas delas já o procuram buscando incluir suas peças. O portal foi inaugurado no sábado (27/3) com cerca de 25 peças, e mais 40 já têm sua filmagem negociada. “Eles perceberam que o Cennarium não vem para acabar com o teatro, e sim para defendê-lo”, conclui.
Fonte: IDG Now
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