25 de out de 2010

Ossos humanos são encontrados sob assoalho de catedral em Florianópolis

Júlio Castro - especial para o Estado
FLORIANÓPOLIS - Ossos humanos de sepultamentos de várias pessoas feitos, possivelmente, há mais de 200 anos foram encontrados sob o assoalho da Capela Nossa Senhora das Dores no interior da Catedral Metropolitana de Florianópolis. A descoberta ocorreu há três semanas e somente nesta segunda-feira foi divulgada. "Nós não divulgamos antes pois precisávamos primeiro informar o Iphan cumprindo uma norma internacional", explicou o coordenador da restauração Roberto Bendes de Sá
O achado aconteceu durante a terceira fase das obras de restauração do local e a suspeita é que os restos mortais são dos seguidores da fraternidade de São Francisco de Assis, também chamada de Ordem Terceira.
A descoberta causou surpresa aos religiosos da catedral, uma vez não esperavam encontrar novas ossadas justamente sob o assoalho da Capela. Sabia-se apenas de registros de sepultamentos na nave da Igreja feitos no final do século XVII. Mesmo assim, o local foi interditado e os trabalhos interrompidos. A retomada depende de manifestação da Superintendência catarinense do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), que se pronunciará através de portaria tão logo a descoberta venha a ser publicada no Diário Oficial.
Segundo Roberto Bentes de Sá, por volta do ano 1815, ossos de pessoas então enterradas na Catedral foram removidos para a igreja São Francisco, cerca de 500 metros do local. Ele não descartou a possibilidade de novos achados de ossadas em toda extensão sob o piso da capela que mede cerca de 70 metros quadrados tão logo os trabalhos seja retomados.
"Nós já havíamos encontrados fragmentos de ossos muito pequenos por toda a igreja durante as outras fases da obra", informou o arqueólogo Osvaldo Paulino da Silva, responsável pelo monitoramento dos serviços, acrescentando que depois de catalogados, os achados foram devolvidos aos locais onde foram encontrados.
Em 1997, por ocasião da reforma da igreja do bairro Ribeirão da Ilha, no Sul da Ilha de Santa Catarina, também foram encontradas tumbas preservadas até mesmo com ossos infantis intrauterinos. No caso da descoberta recente, o arqueólogo informou que será preciso fazer um estudo científico do material para tentar descobrir se os ossos descobertos no Centro da Capital são de pessoas ligadas à igreja ou de cidadãos comuns.
Os únicos túmulos de conhecimento público existentes no local são dos arcebispos Afonso Niehues e Joaquim Domingues de Oliveira. Eles estão, um de cada lado, do altar à Nossa Senhora das Dores. Durante as obras está prevista a exumação dos corpos com a manutenção dos ossários no local. Os enterros nas igrejas foram proibidos em 1841 por causa do odor exalado nos locais e risco de proliferação de doenças.
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