5 de mai de 2011

Cine Som da Lapa

Documentários sobre a Banda da Lapa estreiam no Ribeirão da Ilha

Foto de Daniel Choma
Mais de cem anos. Muita história. Fundada em 15 de agosto de 1896, no dia da festa da santa padroeira do Ribeirão da Ilha, bairro de Florianópolis-SC, a Banda da Lapa tem em sua trajetória muitas histórias de amor à música e à amizade. Histórias que contam sobre um tempo que vem de antes de nossos avós, mas que continuam sendo contadas, imaginadas, recriadas. Histórias que vão sendo vividas por pessoas mais jovens que nós.
A partir delas é que os realizadores audiovisuais Daniel Choma e Tati Costa desenvolveram o projeto “Memórias e harmonias da Banda da Lapa”, pesquisando fotografias, realizando entrevistas, vídeos e textos sobre a trajetória histórica desta que é uma das três bandas com maior tempo de atividade em Florianópolis, ao lado da Comercial e Amor à Arte.
Produzido pela Câmara Clara e com o apoio da Banda da Lapa, o trabalho foi viabilizado através de seleção no prêmio Interações Estéticas - Residências Artísticas em Pontos de Cultura, realização do programa Cultura Viva, Mais Cultura, Funarte, Secretaria de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura e Governo Federal. Resultou na produção de um documentário de 46 minutos e outros quatro curtas com cerca de 10 minutos cada, além da publicação de um livro de 52 páginas e da montagem de uma exposição fotográfica.
O evento de lançamento, intitulado Cine Som da Lapa, será no próximo sábado, dia 07 de maio, às 19 horas, no Salão do Centro Social da Freguesia do Ribeirão da Ilha (Rodovia Baldicero Filomeno, número 7821). Além da exibição dos filmes “Memórias e harmonias da Banda da Lapa” (46 minutos) e “O tom da cor do som” (7 minutos), dirigidos por Daniel Choma e Tati Costa, e da animação “Bequadro” (de Simon Brethé), o evento contará com a presença da Banda da Lapa executando músicas marcantes de seu repertório, e a distribuição gratuita de LivroDVDs. O evento terá duas horas de duração, e pretende ser apenas o primeiro de uma série anual.

Sobre o projeto

Foto de Tati Costa
Foram 41 entrevistas, três meses acompanhando a banda em seu cotidiano e apresentações. O processo vivido reforça a importância dos mais velhos como guardiães da memória social. Sem eles, não se poderia conhecer melhor o que se passou e, portanto, não se poderia reconhecer nem valorizar o ponto em que se chegou. Foram nos manuscritos e lembranças de Alécio Heidenreich - 82, neto, filho e irmão de músicos da Banda da Lapa -  que se deu o principal impulso para a realização deste trabalho. Alécio, das memórias transcritas detalhadamente na forma de textos; das lembranças tantas vezes contadas. Em quem o brilho nos olhos é maior a cada recontar.
No processo de pesquisa também foram localizadas diversas fotografias de rara expressividade para a trajetória histórica da Banda e que ainda não figuravam em seu acervo. Destaca-se ainda o encontro de duas importantes partituras que estavam desaparecidas e desconhecidas da maioria dos músicos atuais. Uma delas, o dobrado “Ressurgimento”, composto em 1952 pelo Maestro Brasílio Machado em homenagem ao retorno da Banda após um ano de suspensão das atividades. A outra partitura encontrada foi o “Hino à Banda do Ribeirão”, composto em 1966, de autoria do Maestro Paulo Cordeiro Dutra, então regente da Banda da Lapa.  Todo este material foi digitalizado, catalogado e entregue a banda sob a forma de CD.
A democratização do acesso aos resultados gerados se fará na distribuição gratuita de exemplares do Livro DVD a escolas, bibliotecas, cineclubes e comunidades de Florianópolis e, ainda, pela montagem de uma Exposição Fotográfica e a exibição pública dos documentários resultantes.
“Do ar”, “O sopro”, “O pulso” e “A pausa”, quatro partes de um mesmo compasso, as Memórias e Harmonias da Banda da Lapa. O Livro DVD que será lançado no próximo dia 07 de maio reúne parte da pesquisa realizada, como um pequeno memorial. Memorial parcial e para sempre incompleto, haja visto que o tempo é imagem em movimento e a história continua. Dia a dia, grão a grão, nota por nota.

Sobre a Banda da Lapa

Foto de Daniel Choma
Banda Nossa Senhora da Lapa do Ribeirão da Ilha, Banda do Zé Pereira, Sociedade Musical e Recreativa Lapa, Banda da Lapa. Há 114 anos, a banda de todos os riberonenses e de todos os ritmos. Dos chorinhos e dobrados, das marchinhas de carnaval e das marchas religiosas, fúnebres e militares. De quem já foi da valsa, do bolero e do samba-canção, e que agora é samba, rock, pop, outras canções. Dos diferentes ritmos em que pulsam os corações. Banda em que os tempos se encontram com harmonia, no saudável convivio entre pessoas de diferentes gerações, na transmissão de saberes. Saber contar e saber ouvir. Saber ensinar e saber aprender. No trabalho voluntário de formação musical que a Banda da Lapa mantém há mais de 50 anos.
Banda sempre disposta a tocar nas mais variadas festas religiosas, seja sobre o asfalto de Canasvieras, nas areias do Pântano do Sul ou em barcos na Costa da Lagoa; sob a figueira da Praça XV ou nos belos palcos de Garopaba. No salão social do Ribeirão da Ilha em domingo de Dia das Crianças, na praça da igreja em época de Natal, nas ruas do bairro em dias de Zé Pereira - seja para sete ou sete mil pessoas. Sob sol ou vento sul, dia ou noite, a receber refeições indecentes e outras feito banquetes. A humildade, como a cera, faz brilhar.
Da Banda da Cera - cujos músicos passaram a integrar a Banda da Lapa na década de 1920 - ficou o exemplo da persistência, da dedicação, da continuidade apesar de todas as dificuldades. Afinal, se hoje ela está estruturada com um quadro de sócios que contribuem mensalmente com pequenas quantias na conta de luz, e tem conseguido - pela batalha de muitos – inscrever e aprovar projetos junto aos órgãos públicos para aquisição de instrumentos e qualificação de professores, por mais de um século a banda sobreviveu sem recursos e até mesmo sem espaço para ensaio. É o que indica o depoimento do Maestro Mario João Daniel, regente da Banda da Lapa na década de 1990. “Era uma banda pobre, não tinha recurso de nada. Então, para manter a banda era só a vontade. A garra de uma meia dúzia que às vezes deixam de atender uma coisa em casa para ir pra banda. Nós somos assim. O Alécio é um desses, um guerreiro que deu a vida pela banda, até hoje lutando por ela. O que mantém a banda é isso”.
    Atualmente, a Banda da Lapa é Ponto de Cultura de Educação Musical Popular, realizando ações de formação musical para crianças; além de integrar o Projeto Bandas, da Fundação Nacional de Artes e manter convênio com a Fundação Franklin Cascaes de Florianópolis.

SERVIÇO
O quê: Cine Som da Lapa – evento de lançamento de documentários sobre a Banda da Lapa.
Quando: dia 07 de maio, às 19 horas.
Onde: Conselho Comunitário do Ribeirão da Ilha (Rodovia Baldicero Filomeno, 7792).
Produção: Câmara Clara – Instituto de Memória e Imagem.
Apoio: Banda da Lapa – Sociedade Musical e Recreativa Lapa – Ponto de Cultura Educação Musical Popular.
Realização: Cultura Viva, Mais Cultura, Funarte, Secretaria de Cidadania Cultural do Ministério da Cultura e Governo Federal.
Website: www.camaraclara.org.br e www.bandadalapa.com.br
Contato: (48) 9633-5903 – com Tati Costa.

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