11 de mai de 2010

Diminui a biodiversidade do mundo, diz ONU

“A notícia não é boa”, avisa o secretário executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica, Ahmed Djoghlaf, logo na primeira página do Terceiro Panorama Global de Biodiversidade (GBO-3, na sigla em inglês). O levantamento, publicado ontem pela Organização das Nações Unidas (ONU), baseou-se em uma série de estudos e relatórios produzidos pelos diversos países para chegar à triste conclusão de que o nível de perda de espécies no planeta é o mais alto da história. “Talvez esteja mil vezes maior que a taxa histórica de referência”, avisa Djoghlaf.

Isso significa um fracasso global. Em 2002, durante a Cúpula da ONU na África do Sul, líderes mundiais assumiram o compromisso de alcançar uma redução significativa na taxa de diminuição da biodiversidade até 2010. “A meta não foi alcançada. Além disso, o panorama alerta que os principais fatores que levam à perda de biodiversidade não só se mantiveram como, em alguns casos, intensificaram-se”, escreve o secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, na apresentação do estudo.

O principal alerta do relatório é que alguns sistemas naturais essenciais para a manutenção da economia de várias populações estão em risco de rápida degradação, caminhando para um colapso que só pode ser evitado se houver uma mudança radical rumo à conservação e ao uso sustentável dos recursos naturais. Em outras palavras, a diminuição da diversidade biológica na Terra — que inclui todas as formas de vida em sistemas aquáticos e terrestres — pode trazer enormes prejuízos à humanidade. Segundo a ONU, por exemplo, a perda anual de áreas florestais significa um prejuízo que varia entre US$ 2 trilhões e US$ 5 trilhões. O cálculo leva em conta benefícios, como a purificação do ar e a proteção de regiões de encosta, que a natureza deixa de proporcionar ao homem.

Além da destruição de florestas, em especial da Amazônia, o levantamento destaca como situações realmente preocupantes a transformação de lagos e outros cursos d’água em áreas dominadas por algas — o que resulta na mortandade de peixes — e a morte de um grande número de corais, devido ao aumento da acidez e da temperatura dos oceanos, o que coloca em risco a sobrevivência de inúmeras espécies que vivem nos recifes. Fenômenos como esse causaram, por exemplo, a queda de 33% da variedade de vertebrados entre 1970 e 2006.

Elogios ao Brasil

Sobre a Floresta Amazônica, o relatório aponta que 17% da vegetação foram destruídas e avisa que, se essa taxa chegar a 30%, pode ocorrer um colapso irreversível. O estudo, porém, cita a redução nos níveis de desmatamento na Amazônia brasileira como um exemplo de que boas ações são possíveis com planejamento.

A ONU incluiu no estudo um gráfico que mostra a diminuição da devastação anual na floresta, prevendo que a área destruída por ano deve estar abaixo dos 5 mil quilômetros quadrados em 2018. Em 1995, esse número era só um pouco menor que 30 mil quilômetros quadrados. O país também é elogiado por suas reservas ambientais. “Das áreas de proteção criadas desde 2003, quase três quartos ficam no Brasil”, afirma um trecho do relatório.
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